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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Le Bel Automne

Tudo parece falecer e se render ao frio miudo. Geada matinal e um vento fresco. A terceira estação do amor, onde as cores quentes ganham vida e o céu já vai derramando as suas lágrimas. Onde o feio nos encanta e a tristeza nos alegra. Procurando já fios de luz que nos aquecam a alma, já que o amor não motoriza. Uma rédia nostalgica de momentos antecedentes. E pelas ruas, já se assiste à melodia da despedida. Sempre que a natureza entristece, o ser humano se remete à igualdade. A solidão parece querer se tornar transparente como àgua limpida e quando isso se sucede, só nos resta a saudade de ter alguém (ou voltar a ter!). Nas ruas outunais, todos os caminhos são feitos de passado; cada passo equivale um momento; cada esquina cheia de vultos e recriações de momentos vividos. Rebolar nas folhas enquanto elas se desfazem e se transformam em pequenos pedaços de nada. Celebrar a vida no meio da morte. Excumungando o azar, testando a sorte em amar. Aquele beijo, num dia chuvoso, onde as folhas estão coladas ao chão e parecem desenhos. Adormecer e acordar aconchegado por causa do frio que se fez. Tudo tão velho, saturado e feio, aparentando ser novo, fresco e belo. Um instante retorico em que somos empurrados para a vida passada sem razão aparente. Reverter em caleidoscópio uma insanidade de memórias refutadas, inenarraveis e estáticas. Uma invasão repentina e não consensualizada - penetrando a nossa mente sem autorização - entrando assim num choque psicológico constante, em bola de neve. O maior mistério, é que esta estação à qual faço referência, leva-me sempre ao báu das memórias tão automaticamente que, quando a realidade me acorda, já nem palavras se abordam. A lágrima caí como uma esponja cheia de água. Apenas resta enfatizar. Tudo nos traz saudade. Estranha forma de reviver morrendo. Indefesos, frágeis e vulneraveis. Todos falam em amor de Verão, mas o amor que toma indice no Outono, tem um nível de beleza superior, de melancolia extrema e de um isolamento a precaver.  

domingo, 16 de junho de 2013

Tragam Amor À Saudade

quanta saudade está em amar?
quando amar traz saudade
ou
quando saudade traz amor?
meu ser parece falecer
como se de amor se alimentasse...
não pretendo a saudade
quando meu amor procuro
não sei qual é minha idade
se meu amor está escuro.

tragam amor à saudade
para que saudade tenha amor
e venha até mim

domingo, 26 de maio de 2013

Meu Corpo

Por águas saloias
meu corpo carregado
flutua.
Penada e nua,
gélida e crua
minh'alma já nem é tua
e minha carne minga.

Mar
carrega para longe meu corpo
desta vida tormenta.
Não me cansais
por quem não lamenta.
Drenai meu amor
sem fôlego nem guerra
asfixiem sem dor.

Mar
Anseio meu corpo oco
Vazio e cheio de nada.
Deixai-me apenas uma semente
de vida não aparente.
Matem meu corpo
mas deixai na memória
quem na nostalgia me carrega.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Bloqueado

E se tudo fosse nada?
Talvez nada fosse tudo,
porque se tudo fosse nada
então nada importava ao mundo.
Mas mesmo que tudo seja nada
nada será sempre quantitativo
porque se tivermos tudo
não nos sobra nada.
O que é viver?
Se com tudo fico sem nada?

terça-feira, 30 de abril de 2013

Take-Away

Uma mesa solitária
rodeada de vazio...
fria e árida
É servida a nostalgia
e nela vem incluída
um coração cheio de nada
acompanhada
de rarefeita vida.
Alimentando saudade
Empanturrado de mágoa.

sábado, 27 de abril de 2013

Marés Mortas

E m p u r r a s t e - m e  p a r a  o  m a r
E
u

C
a
i


Comecei-me a afogar
E eu sem ti...
Deixei                             de                             respirar




Tarde demais quando te senti.

Estas são
As marés mortas
De uma vida
Não sentida
Perdida em devaneio


Deixa-me na maré
Meu corpo já está morto
O mar levar-me-à com ele


Para um sitio

Onde seja intocável 
Um sitio
Onde não esteja visível
Um sitio
Onde não sinta amor
Onde tudo é gelo